A Rotina dos Insociáveis
(*) Texto de Aparecido Raimundo de Souza.
Zé Povinho passava diante do prédio do Congresso Nacional, em Brasília, quando ouviu uma gritaria dos diabos vinda lá de dentro. Estancou os passos e se pôs a escutar. Seu rosto ficou enrubescido, de tanta vergonha:
-“Veado”,
-“Corno”,
-“Filho da puta”,
-“Calhorda”,
-“Ladrão”,
-“Pedófilo”,
-“Berzoini”,
-“Malandro”,
-“Salafrário”,
-“Mercadante”,
-“Chifrudo”,
-“Demo”,
-“Gatuno”,
-“Quintanilha”,
-“Pilantra”,
-“Desgraçado”,
-“Sem mãe”,
-“Vândalo”,
-“Caloteiro”,
-“Pica grossa”,
-“Sarney”,
-“Embusteiro”,
-“Salgado”,
-“Velhaco”,
-“Barbalho”,
-“Mandrião”,
-“Jumento”,
- “Salvatti”,
-“Jucá”,
-“Cachaceiro”,
-“Mão Santa”,
-“Cafeteira”,
-“Latrocida”,
-“Puta granfina”
- “Camata”,
-“Cu fedido”,
-“Enganador do povo”,
-“171”,
-“Duque”,
-“Sem caráter”,
-“Maconheiro”,
-“Impostor”,
-“Patife”,
-“CQC”,
-“Vil”,
-“Fecury”,
-“Judas”,
-“Cafajeste”,
-“Cherador de pó”,
-“Simon”,
-“Castelo do Moreira”,
-“Rabo preso”,
Inconformado e atônito, o cidadão Zé Povinho chamou um dos seguranças que montava guarda. Indagou, estarrecido, boquiaberto e pasmo:
- Seu praça, o senhor poderia me explicar o que está acontecendo ai dentro?
- Os parlamentares estão fazendo a chamada.
(*) Aparecido Raimundo de Souza é jornalista.

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