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O
VULTO
DA
SOMBRA
ESTRANHA
Celeiro de Escritores
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O VULTO
DA SOMBRA
ESTRANHA
2009
Aparecido Raimundo de Souza
São Paulo - SP
Editora Sucesso
4
Organização editorial
Denise Barros
Revisão
Jussára C. Godinho
Projeto gráfico e Diagramação eletrônica
Denise Barros
Capa
Claus Ritter
Impressão digital e acabamento
Docuprint
Índice para catálogo sistemático:
1. Outros gêneros literários CDU 82-9
© 2009 Celeiro de Escritores
www.celeirodeescritores.org
SOUZA, Aparecido Raimundo de
O vulto da sombra estranha/ Aparecido Raimundo de
Souza - São Paulo, SP: Ed. Sucesso, 2009.
120 p. ; 21 cm.
ISBN 978-85-89091-18-3
1. Pensamentos. 2. Historietas. 3. Sexo. 4. Humor. I.
Souza, Aparecido Raimundo de. II. Título.
CDU 82-9
© 2009 Aparecido Raimundo de Souza
Brasil
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Sumário
Prefácio - 11
Cravo-de-bouba - 13
Mestre e gafanhoto - 14
Tolerância zero - 15
Linha de agulha - 16
Ambiguidade - 17
Ao pé da letra - 18
Pique - 19
Cena urbana I - 20
Escultura - 21
Love story na alfaiataria - 22
Ângulos opostos - 23
Anúncio futurista em jornal
mais futurista ainda - 24
Impecável - 25
Fofoca de caserna - 26
Tal pai... - 27
Bufê - 28
Doméstico - 29
Alcunha - 30
Látego martirizante - 31
Triângulo imperfeito - 32
Cacoete - 33
7
Sabichão - 34
Direto da redação - 35
Coisas da primeira vez - 36
Pra tudo há solução - 37
Overdose - 38
Fatal - 39
Sagaz - 40
Joio e trigo - 41
Quase gente - 42
Inventor de assombros - 43
Místico - 44
Quarta (im) potência - 45
Cartaz em birosca de periferia - 46
Toque de recolher - 47
Bico - 48
Carta número um - 49
Atacante - 50
Invasão de privacidade - 51
Cena urbana II - 52
Ganância periférica - 53
Pólo passivo - 54
Urucubaca - 55
De berço - 56
Fisionomista - 57
Aula prática de português I - 58
Carta número dois - 59
Quase - 60
8
Testemunha ocular - 61
Patético - 62
Terminal - 63
De primeira - 64
Gentleman - 65
Caleidoscópio - 66
Entre literatos - 67
Moderníssimo - 68
Página policial - 69
Ciclo - 70
Irrequieto - 72
...Entonces com permisso... - 73
Golpe baixo - 74
Insociável - 75
Sombra e água fresca - 76
Com outras palavras - 77
Ossos do orifício - 78
Cena urbana III - 79
Ritual - 80
Gênesis - 81
Fiel - 82
Lascívo - 83
Via expressa - 84
Numa sofisticada butique de Shopping - 85
Ponto e contra ponto - 86
Gibi - 87
9
Religião - 88
Aula prática de português II - 89
O visto imaginado - 90
Tomada de preços - 91
Injustiçado - 92
Profano - 93
Classificados - 94
Vovô - 95
Depredação de patrimônio - 96
É bom saber que... - 97
Xeque mate - 98
Imprevisto - 99
O cúmulo palpável - 100
Renda de bilro - 101
Aviso importante - 102
Vulgar se não fosse trágico - 103
Última hora - 104
Loucura bisonha - 105
Gato na tuba - 106
Alma gêmea - 108
Precaução hereditáia - 109
Tecnologia de ponta - 110
De jumento - 111
Passional - 112
Repetitivo - 113
Welcome - 114
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Prefácio
"O vulto da sombra estranha" é uma seleção
de 100 pequenos textos, onde o autor transita
com seus diálogos e idéias, entre o humor,
a sátira e a ironia.
Aparecido Raimundo de Souza é aquele que
“não tampa o sol com a peneira grossa”, mostra
a linguagem trivial que vive na “boca do povo”,
na rua, nos botecos, nos ônibus - dos arrabaldes
aos centros urbanos.
Excêntrico e irreverente, o autor ratifica, nesta
obra, uma outra face - seu estilo mordaz -.
Aparecido Raimundo de Souza é arrojado, sem
meias palavras, é autêntico e popular.
(*)Marilei Cassemiro Pereira Santos
* Bacharel em Direito, Pós-graduada em Direito Penal e
Processo Civil. Artista Plástica e Escritora. Suas obras literárias
estão publicadas em Antologias e Coletâneas nacionais e internacionais.
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Cravo-de-bouba.
Para que uma cagada seja considerada
politicamente perfeita, se fazem necessárias duas
coisas distintas. Primeira, que a bosta e o peido
estejam unidos no fundo do vaso sanitário
abraçados fraternalmente. Segunda, enlaçados
pelo mesmo erotismo e misticismo com que saíram
do buraco anal. Como a urina quente e impassível
que procura o pinto endurecido, quando deixa,
correndo, a bexiga que a aprisiona.
Lição a ser observada: a pior das merdas não é a
que sai, mas a que fica remoendo o sujeito, por
dentro, sem previsão de uma possível diarréia em
hora incerta.
Aparecido Raimundo de Souza
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Mestre e gafanhoto
- Quando o palito de fósforo perde a cabeça,
quem padece não é o corpo.
-E quem é?
-Os dedos da mão que o seguram.
-E qual é a moral disso?
-A adversidade da mão queimada é o
trampolim para a maturidade de não se deixar
tostar uma segunda vez.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Tolerância zero
- Tirou a calcinha? Legal. Agora, por favor,
abra as pernas...
- Pronto.
- Abra mais...
- Mais?
- Isso! Mais, mais, mais...
- Está bom assim?!
- Não, arreganhe um pouco mais. Procure
encostar os joelhos nos ouvidos.
- O que? Meu Deus, que loucura!
- Assim, minha linda. Está quase bom. Só
alguns centímetros...
- Porra, cara, isso não pode estar acontecendo
comigo! Afinal de contas, você me trouxe aqui para
me dar uma surra de pica ou me obrigar a fazer
exercícios de abertura e alongamento com a minha
boceta?
Aparecido Raimundo de Souza
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Linha de agulha
- A filha da empregada lá de casa é tão
magra, mas tão magra que limpa o rabo com
aqueles papeizinhos que vêm colados nas caixas
de fósforos. Acredita no que estou falando?
- Com toda certeza. Porém, ainda assim,
aposto com você. Essa jovem não ganha de uma
moça que mora de aluguel numa das quitinetes
de papai. A beldade é tão franzina, tão como diria
raquítica, que você precisa ver: consegue se
masturbar com um alfinete.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Ambiguidade
- Papai, meu namorado vive querendo apertar
meus peitos...
- É? Qual deles?
Aparecido Raimundo de Souza
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Ao pé da letra
- Aconteceu assim, seu delegado. O tal
representante do ministério público foi jogado, à
força, de cabeça, contra o capô do seu próprio
automóvel, pelo seu Luiz dos Parafusos, da
lanternagem. Eu vi com estes olhos que a terra
haverá de comer!
- E o senhor saberia esclarecer por que esse
elemento agiu dessa forma?
- O dono da oficina teria dito a ele, que o
novo cliente era pro motor.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Pique
Num canto do picadeiro, enquanto aguardava
a vez para apresentar seu número ao grande e
respeitável público, o contorcionista chupava, só
para não perder a forma, o rego de sua própria
bunda.
Procure, na sua vida diária, fazer como esse
contorcionista: convença a si mesmo que é possível
alcançar muito mais do que realiza todos os dias,
ainda que o seu objetivo seja o simples gesto de
sentir o cheiro de um peido saindo direto do seu
orifício anal.
Aparecido Raimundo de Souza
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Cena urbana I
- Maria - grita a patroa lá da garagem
enquanto acaba de tirar as coisas de dentro do
carro. - Ponha a Regininha no berço e o resto da
mamadeira na gaveta da geladeira.
- Tá legal, dona Camila.
Uma hora depois, a patroa apavorada, surge, na
sala, à procura da recém nascida. A serviçal está
com os olhos grudados na televisão, um saco de
pipocas de um lado, uma latinha de refrigerante
do outro:
- Maria, Maria, por tudo quanto é mais
sagrado! Onde está minha filha?
- Ué! No berço...
- Meu Deus, Maria, no berço encontrei a
mamadeira!
- Credo em cruz, dona Camila! Valha-me
Jesus Nossa Senhora! Na pressa para aprontar o
jantar e ver o capítulo de hoje, da novela, acho que
troquei as bolas. Corre na gaveta da geladeira.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Escultura
- O doutor Basto, ontem, por volta da meia
noite, deu um basta no filho do seu Bosto, o
Bastião.
- Ué! Por quê?
- Chegou ao conhecimento dele que o rapaz
deixava aflorar um lado esquisito que ninguém
conhecia até então... Uma espécie de tara que
punha em prática depois que todos os empregados
se recolhiam.
- Que lado seria esse? Bastião parece, Deus
que me perdoe um monte de bosta!...
- Pode até ser, mas, na ausência do doutor,
o rapaz liberava geral. Incorporava nele um troço
meio que pervertido. Todo mundo, depois dessa,
pensa que ele é um maníaco sexual enrustido.
Tanto encheram a cabeça do doutor que ele
resolveu conferir pessoalmente. E pegou o cara com
a boca na botija.
- O que o pobre rapaz fazia afinal? Acaso
comia assada alguma das empregadinhas da
fazenda?
- Claro que não. Doutor Basto flagrou
Bastião batendo uma punheta - bastão duro entre
os dedos - enroscado, imagine só, naquele busto
que o velho mandou colocar defronte a entrada da
capelinha, da filha mais nova dele, a Bastiana.
Aparecido Raimundo de Souza
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Love story na alfaiataria
- A Tesoura, finalmente, se casou com o
Tesouro.
- Eu soube. Acho que eles têm tudo para dar
certo. Formam um belo par!
- Segundo me confidenciou a Fita Métrica
que é amiga do casal, ela...
-...A jovem Tesoura, às escondidas, já está
cortando um paninho diferente?
- Claro que não, dona Agulha. Que pensamento
mais besta. A Fita Métrica me confidenciou
e o velho Dedal, confirmou suas palavras: a Tesoura
acha o marido um tremendo “tesãorão”.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Ângulos opostos
- No seu entender, o que é uma foda silenciosa?
- É aquela em que o casal entra um por
dentro do outro e a cama não faz barulho. Pode
ser também a trepada onde o homem e a mulher
se completam sem precisarem dizer nada, ou seja,
deixam a coisa fluir embalados pela linguagem do
amor e a sutil magia dos corpos se tocando.
- Negativo.
- Se não é isso, confesso a você que sou um
verdadeiro burro em matéria de fornicação. Devo
voltar as camas e alcovas de minhas velhas amantes
e repassar todas as lições que o gosto desvairado
pelo sexo me ensinou!...
- Não deixa de ser uma boa idéia. Enquanto
você se decide, se volta ou não, anote e aprenda:
foda silenciosa, meu amigo, é a do cidadão que
entra no ônibus, vendendo o alfabeto dos surdosmudos
e, leva de bandeja, a “merreca” que você
guardava, no bolso, para pagar a passagem da volta.
Aparecido Raimundo de Souza
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Anúncio futurista em jornal
mais futurista ainda
Acabam de chegar ao mercado mãos
eletrônicas super digitais. Elas são capazes de coçar
suas costas em minutos e arrancar dinheiro dos
seus bolsos em segundos.
Acompanham, inteiramente de graça, quites com
dedos e unhas postiças sobressalentes. Em várias
cores e modelos.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Impecável
- Quer dizer que a nossa amiguinha, aqui
do apto 402, a Penélope, está tão fraca que,
segundo você, não aguenta agarrar um gato pelo
rabo?
-Até ontem pensava diferente. Todavia, agora,
que passei a conhecê-la melhor, e, depois dessa
noite deliciosa que tivemos, acho que, mesmo com
ar de abatida e com a carinha de anjo triste, ainda
tem coragem suficiente e energia de sobra para
dar o rabo. Basta ver na frente, um gato.
-Putz, cara! É verdade?
-Não se esqueça de um detalhezinho importante.
Ela é uma dessas moças que pensam que,
acima da mulher que salta e corre atrás, existe
uma pica glamourosa que jamais para de voar.
Aparecido Raimundo de Souza
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Fofoca de caserna.
- Lembra do nosso tempo de quartel?
Tenente Aquino, capitão Eurico, sargento
Gualtierres, soldado Tobias?
- Claro que lembro. Ainda mais quando me
vem à memória, a figura austera, do sargento
Gualtierres. Falavam que ele levava seus
empreendimentos de cabo a rabo.
- Isso toda a tropa tinha pleno conhecimento.
De cabo a rabo!
- E da mulher dele, a Ingrid, recorda o que a
galera comentava?
- Apenas que era uma jovem muito nova,
dezessete anos, mas, apesar da pouca idade,
esperta e tremendamente sapeca. Ao oposto do
marido, gostava de levar, no rabo, o cabo do soldado
Pinto, aquele varão alto e magricela, segurança
pessoal do coronel Navemar.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Tal pai...
- Minha filha arranjou um cara da porra...
-E você, pelo andar da carruagem, está feliz.
Vejo alegrias em seus olhos...
-Sinceramente? Não!
-E por quê?
-Ela agora deu para engolir a... Você sabe a
que me refiro. Logo ela, que eu criei como uma
princesinha, cheia de mimos...
- Meu amigo, preste atenção no que vou dizer
e guarde bem as minhas palavras para o resto de
sua vida: o gozo saído de dentro daquele - ou
daquela a quem amamos - é o melhor desjejum
para quem aprecia uma refeição de gosto apurado.
Você não me revelou que não consegue se livrar
de uma tara oculta, e, por causa dela, costuma
lamber a bunda da sua patroa assim que ela acaba
de se levantar do vaso?
Aparecido Raimundo de Souza
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Bufê
Ao entrar as carreiras no banheiro dos homens,
a linda e esfuziante policial que corria, atrás
de um bandido, pegou todo mundo de pau nas
mãos.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Doméstico
Foi parar no pronto socorro rapaz que entrou
pelo cano e quase morreu afogado. A intenção dele
era sair imediatamente pelo único ralo existente
na casa. Todavia, não conseguiu. A esposa,
apavorada, chamou um vizinho que nas horas de
folga costuma fazer bicos como bombeiro. Logo que
chegou para atender a ocorrência e diante do
apavoramento da mulher, o sujeito tratou de meter
a mangueira no primeiro buraco que encontrou
pela frente. Em seguida, inopinadamente abriu a
torneira que liberava a água.
Aparecido Raimundo de Souza
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Alcunha
- Malaquias, agora, é carregador de malas,
num hotel cinco estrelas, em Copacabana. Só tem
um defeito. Vive rindo, o coitado. Ri tanto, tanto ri
que os colegas de serviço lhe apelidaram
carinhosamente de...
-...Hiena?
- Não. Malarias.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Látego martirizante
- Você sabe qual é a grande mágoa de nosso
amigo Caré?
- Não faço a menor idéia.
- As pessoas só lembram que ele existe,
principalmente os mais chegados, quando resolvem
gritar em seus ouvidos...
- Gritar? Gritar o quê?
- Jáaaaaaaaaaaa!...
Aparecido Raimundo de Souza
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Triângulo imperfeito
- Sabia que o garfo é o marido da colher?
- Juro a você que desconhecia esse particular.
Mas e a faca? Qual o papel dela, exatamente?
- Ora, a faca é a amante.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Cacoete
- E ai, conseguiu lamber o cuzinho da tal
ninfeta que você pretendia encontrar ontem à
noite?
- De jeito nenhum. Toda vez que eu metia a
boca no meio da bunda da sem vergonha, a olhota
dela me piscava o rabo. Imagine só!
- Piscava o rabo?
- Isso mesmo. Pra minha língua!
Aparecido Raimundo de Souza
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22
Sabichão
- Descreva, para mim, você que estuda e lê
muito, o que é psiu!
- É um pê, no cio, querendo psar!
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Direto da redação
Esta manhã, dois carros se beijaram, no
trânsito, acaloradamente, até que a perícia os
separou.
Aparecido Raimundo de Souza
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Coisas da primeira vez
O menino, finalmente, consegue tirar a
roupa toda, na frente da namoradinha. Ao se livrar
da cuequinha, ela, ruborizada, se vira rapidamente
de costas. Tampa os olhos com as mãos. Balbucia,
transtornada:
- O que é isso ai, pendurado no meio das
suas pernas?
O guri, eufórico:
- Lembra que falei que ia deixar você ver meu
bichinho de estimação? Então, esse aqui, é o meu
pintinho.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Pra tudo há solução
- Só me responda uma pergunta, seu Moacir.
O velho Euclides deu a cunha, seu Assis, vendeu
o machado, seu Jânio, o quadro, Pero Vaz queimou
a caminha onde dormia, sem falar no seu Silvio
que fugiu pra Santos... Afinal, nessa confusão toda,
quem me pagará o aluguel da carpintaria?
- Seu Cristóvão.
- E com quê?
- “Co” lombo.
Aparecido Raimundo de Souza
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Overdose
- A Maria da Glória nem bem havia saído da
sala de parto, quase desmaiou, branca, feito uma
vela quando a enfermeira lhe deu a notícia dos
quadrigêmeos.
- Minha nossa. Eu também iria pelo mesmo
caminho. Acho até que teria um piripaque. Mas
me diga lá: como ficou o marido dela, o Léu?
- Pardo!
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Fatal
E atenção para esta notícia. Um avião da GAL
acaba de explodir em pleno ar. Apenas uma das
asas conseguiu aterrissar no aeroporto de
Congonhas, em São Paulo, ainda assim, segundo
um porta voz do DAC (Departamento de
Assopradores de Caralhos), com duas horas e meia
de atraso.
Aparecido Raimundo de Souza
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Sagaz
O rapaz, indiscreto, pergunta, à moça:
- É verdade que seu cu tícula?
Ela, sem subterfúgios, responde a altura, no
mesmo tom:
- Só quando sente pilu lá.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Joio e trigo
-Joãozinho, explique a diferença do burro
para o cavalo.
- Fácil professora. O burro, ao invés de dar
patadas nos outros, coiceia, furiosamente, seu
próprio traseiro.
- Muito boa a sua resposta. E quanto ao
cavalo?
- Esse ai nasceu pra ser um eterno jumento.
- Não entendi Joãozinho. Seja mais claro,
por favor.
- E o seguinte, professora: toda vez que vai
transar, o cavalo, na sua afoiteza, acaba pisando
nas patas da pobre da potranca. Esse incidente
aparentemente sem importância tira a concentração
dela. Conclusão: a infeliz, pê da vida,
acaba indo gozar com o Mangalarga da fazenda
vizinha.
Aparecido Raimundo de Souza
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Quase gente
- Cachorro inteligente eu tive o privilégio de
ver numa exposição de animais domésticos, em
São Paulo!
- Como assim? Ele fazia as necessidades
fisiológicas no banheiro e limpava a bunda com o
papel sanitário?
- Não.
- Já sei. Transava com as cadelas, mas antes
de mandar brasa se precavia, colocando um
preservativo próprio para animais?
- Qual o quê! O danadinho, pra onde quer
que fosse, levava, colado nele, quatro lindas
patinhas.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Inventor de assombros
- Meu amigo resolveu um problema sério
quando lhe faltou gás de cozinha em pleno
domingo, às onze e meia da noite.
- Como foi que ele se arranjou?
- Deu uma de MacGyver. Mandou a
namorada arriar a calcinha e ficar de quatro, ao
lado do fogão. Pegou, então, a mangueira de gás
do botijão e enfiou, toda, até o talo, na bunda da
pobre da moça.
- Por acaso esse seu amigo é louco? Fugiu
do hospício?
- Nenhuma coisa, nem outra. Apenas
criativo.
- E onde está a criatividade desse panaca?
Já viu coisa mais ridícula que essa? Enfiar uma
mangueira de gás no cu, logo no cuzinho da namorada?
Com que finalidade, pergunto estarrecido?
- Ao invés de gás de cozinha, meu amigo
usou gás de cuzinho, pedindo para que a moça
começasse a peidar imediatamente.
Aparecido Raimundo de Souza
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32
Místico
- Agora, no almoço, engoli, sem querer, uma
lagarta que estava numa folha da salada!
- E o que aconteceu? Sua barriga embrulhou?
- Faltou pouco. Por sorte peidei uma borboleta!
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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33
Quarta (im) potência
- No futuro, imprensa livre será vista de outra
forma.
- Como, de outra forma?
- Os jornalistas escreverão matérias que
jamais serão publicadas.
Aparecido Raimundo de Souza
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Cartaz em birosca de
periferia
“Na... Não... Vem... Vendo... Fi... Fifi... Fifi...
Fifia... Fifiadodo...”
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Toque de recolher
Seu Pinto, em pé, no portão de casa, dá um
berro chamando pelo filho, que brinca na calçada
do lado oposto da rua:
- Vem cá, Ralho!
Aparecido Raimundo de Souza
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Bico
Preciso urgente de pessoas de ambos os
sexos, qualquer idade, para encher bolinhas de
aniversário no sopro. Dou preferência àquelas que
toquem gaitas de boca, trompetes, clarinetas e
tubas. Dispenso curiosos que mexam com outros
instrumentos. Tratar com o Luiz do cavaquinho,
na sala da Ordem dos Músicos, 4º andar, depois
do expediente.
OBS: não é preciso trazer a partitura, só o órgão
de pedalar, perdão, órgão do paladar.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Carta número um
“Querida dona Valquíria. Rogo, encarecidamente,
que a senhora consulte seu mentor
espiritual, o Pai Vence Demanda de Obapracá,
sobre um problema que está me deixando bastante
intrigada. Meu marido só chega em casa depois
das cinco da manhã e com a cueca na mão. Me
oriente, o que devo fazer?” (Maria Cornélia –
Curralinho MG)
Resposta: venda o relógio, minha boa senhora e
passe a consultar as horas pela cueca de seu
marido.
Aparecido Raimundo de Souza
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Atacante
- Tio Zé, o Tonico está me dando uma bola!
O que é que eu faço?
- Chuta!
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Invasão de privacidade
- Na tentativa de usar um velho extintor para
apagar um foco de incêndio, num dos apartamentos,
o bombeiro não obteve êxito com o equipamento.
-Alguma coisa emperrou?
-Não exatamente, mas o aparelho se recusou
a prestar qualquer tipo de ajuda, alegando ser um
ex-tintor.
Aparecido Raimundo de Souza
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40
Cena urbana I I
Gritava, a mulher, da janela:
-Vick, Vick,
-Quié, mãe!
-Vá pô Rube pra dentro.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Ganância periférica
Ao tomar um táxi, no aeroporto, em direção
ao centro, o passageiro se espantou com a
velocidade louca do taxímetro e a morosidade
doentia do motorista.
Aparecido Raimundo de Souza
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Pólo passivo
- Barnabé, me tira uma dúvida: Sem passou
por aqui?
- Não tem cinco minutos, patrão!
- E o que ele queria?
- Falar com seu filho Sato.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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43
Urucubaca
-Por não cumprir os prazos de lei, o advogado
do réu, coitado, foi xingado da cabeça aos pés, na
porta do fórum...
- Ué! Por quem?
- Pelos familiares do sujeito que estava em
cana. Parece que o infeliz não conseguiu o alvará
de soltura.
- Que coisa horrível! Mas diga lá: o pessoal
xingava o doutor de quê?
- De “reulaxado”.
Aparecido Raimundo de Souza
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44
De berço
Figura bastante conhecida, na cidade é, sem
dúvida alguma, o Tião Carroceiro. As pessoas
distinguem seu veículo, de longe, uma vez que o
mesmo é sempre visto pelas ruas a transportar
barro, areia, entulho, móveis velhos e outras
quinquilharias. Dia desses, um freguês, ao ver o
cavalo pastando num terreno baldio, nos arredores
da casa de seu dono, tirou o chapéu e cumprimentou
respeitosamente o animal:
- Bom dia, seu Tião!
Logo em seguida, contudo, topou com o freteiro.
Não deixou por menos. Repetiu o gesto do chapéu
e fez uma mesura:
- Bom dia, seu cavalo!
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Fisionomista
- Olhe bem para aquele sujeito parado ali
adiante...
-Estou olhando. O que tem ele?
-O seu rosto me lembra... Porra me lembra...
-Fale de uma vez, cara!
-Me lembra o Melo!
Aparecido Raimundo de Souza
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Aula prática de português I
A aluna:
- O senhor é discente?
O professor:
- Não, docente. Mas isso não importa. E a
senhorita?
A aluna:
- Decente.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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47
Carta número dois
- “Dona Valquíria, meu nome é Vandinha.
Tenho seis anos e pedi para minha amiga Luíza, de
oito, que me ajudasse a escrever. Mamãe, à noite,
depois que prepara a janta de papai e cuida da
marmita para que leve para o serviço, dia seguinte,
me põe pra dormir e se recolhe, com ele, para o
quarto. Por duas noites seguidas, ao me levantar para
ir ao banheiro, ao passar em frente a porta deles,
ouvi a mamãe dizer: “amor, eu quero mamar. Cadê a
minha mamadeira?” Papai, então, dá de mamar, toda
vez que mamãe pede, pois quando ela acaba, fica
repetindo as seguintes palavras: “nossa, amor, esse
seu leitinho está cada dia melhor e também mais
saboroso”. Eu e minha colega, até agora, não
conseguimos encontrar onde papai guarda a
mamadeira da mamãe quando sai para o trabalho,
ou a latinha de onde ele retira o leite. Já reviramos o
quarto e o resto da casa inteira de pernas pro ar.
Gostaria que a senhora perguntasse ao Pai Vence
Demanda de Obapracá, onde é o esconderijo que
papai enfia a lata de leite e a mamadeira de mamãe?.
(Vandinha - Pau de Leite BA)
Resposta: filha, segundo orientação recebida do meu
mentor espiritual, ele me disse que você não pode
descobrir o esconderijo onde seu pai enfia (ou melhor,
guarda) a mamadeira de sua mamãe, nem de onde
ele retira o tal leite. Apenas me autorizou a dizer a
você que seu papai, por precaução, carrega a latinha
e a mamadeira, ambas embrulhadas junto com a
marmita.
Aparecido Raimundo de Souza
60
48
Quase
- A moça do apartamento em frente ao meu,
não anda.
- É aleijada?
- Não, é levada!...
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
61
49
Testemunha ocular
- E ai, o que aconteceu naquele cruzamento?
-O morto, seu delegado, foi o único defunto
sobrevivente que permaneceu no local do crime
até que o rabecão chegou e levou seu cadáver.
Aparecido Raimundo de Souza
62
50
Patético
- Diga água. Água...
-...
- Água, água... Á G U A...
-...
- Água, água, fale, merda. ÁGUA. A DE
AMORA, G, DE GUARANÁ, U DE UVA, A DE
ANTONIO. Fale, infeliz.
-...
- Vou repetir novamente. Á...
Entra a enfermeira com uma papeleta nas mãos e
chama a atenção do médico recém formado,
enquanto lhe exibe o prontuário do paciente:
- Não adianta doutor. Esse aí é surdo-mudo.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
63
51
Terminal
Gagá é aquela fase da vida em que o velho,
quando sente vontade de fazer suas necessidades
fisiológicas, enfia a dentadura na panela de arroz
e limpa a bunda com o preservativo que o neto,
por descuido, acabou de usar com a namoradinha
e esqueceu sobre a pia do banheiro.
Aparecido Raimundo de Souza
64
52
De primeira
No interior do carro da auto-escola o
instrutor, visivelmente nervoso e roendo as unhas,
grita para a aluna elegantemente acondicionada
num vestido que lhe deixa, à mostra, além das
lindas pernas bem torneadas, o charme discreto
de uma minúscula calcinha azul.
- Segura firme na cabeça do câmbio, tira do
ponto morto chacoalhando como já lhe ensinei,
dá uma rodadinha, de leve, para a esquerda e
empurra pra trás. É assim que se mete de ré, Nata.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
65
53
Gentleman
- Dona Fausta, a certa altura da festa, cismou
de fugir do marido. Adivinha o que a sem vergonha
aprontou?
- Jogou o sujeito pela janela?
- Fala sério!
- Ta legal. Ela prendeu o infeliz no banheiro
das moças?
- Qual o quê. Embebedou o pobre coitado
até ele emborcar na mesa. Depois, meu prezado,
simplesmente veio vindo, veio vindo, veio vindo de
fausto até perto de mim...
- E você aproveitou a deixa. Levou a infeliz
para um canto e...
- Engano seu. Como respeitoso cavalheiro,
acenei com a cabeça, abri um sorriso franco e
rapidamente me “afaustei”.
Aparecido Raimundo de Souza
66
54
Caleidoscópio
Sino da igreja matriz procura sina solteira
para futuros compromissos com muitas badalações.
Interessadas devem se dirigir à secretaria
do santuário e falar com o rapaz que cuida das
coisas do padre.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
67
55
Entre literatos
Escritor número um:
- O que você está lendo?
Escritor número dois:
- Rosinha, ninhoca nua. E o prezado?
Escritor número um:
- Enterrem meu cacetão na curva do tio.
Aparecido Raimundo de Souza
68
56
Moderníssimo
- Li no jornal que estão vendendo calcinhas
com gosto de porra.
- Isso não é mais novidade. Ontem minha
mulher me deu de presente uma sunguinha nova
com sabor de boceta.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
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Página policial
Assassino mata Gal no mangue de Vila
Bhetânia, perto do valão da Costa. Delegado
Caetano, disse à imprensa, que Gil tudo de berto.
Aparecido Raimundo de Souza
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58
Ciclo
- Um dos meus barmans pediu a mão de
uma das garotas que servem as mesas...
- Alguém que eu conheça?
- Sim a Centopéia.
- O cara tem bom gosto. A jovem é um pedaço
de mau caminho. E ai, ela aceitou?
- Não só aceitou como ficou tão feliz que
passou a rodopiar feito uma despirocada, pelo
salão, até que...
-...Tropeçou e derrubou os copos num
freguês chato, igual aconteceu comigo, quando eu
dei a ela, uma gorjeta generosa?
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
71
- Antes fosse. Centopéia foi até a adega,
passou a mão numa garrafa de vinho, chamou o
tal rapaz que se enamorou dela, subiu com ele no
palco, tirou as coisas do sujeito pra fora, despejou
o vinho e passou a chupar o pau do coitado na
frente de todo mundo.
- Os fregueses devem ter adorado.
- De fato. Amaram! Dia seguinte, meu chapa,
a casa lotou. Tinha gente saindo pelo ladrão.
- Então você está saltitante... Os bolsos
cheios etc, etc...
- Deveria, não fosse um incidente acontecido
ontem à noite.
- Que incidente?
- Centopéia se dirigiu ao caixa, levantou a
saia da minha mulher, arriou a calcinha e, num
gesto até agora inexplicável enfiou a língua no cu
dela.
Aparecido Raimundo de Souza
72
59
Irrequieto
- Amigo, por favor, é impressão minha, ou
aquele orelhão ali, de frente para a padaria, fica se
movimentando, pra lá e pra cá?
- O senhor está absolutamente correto. Ele
realmente se desloca, ora para um lado, ora para
outro!
- Saberia explicar por quê?
- Com toda certeza. Ele descobriu que é um
vai-e-vem.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
73
60
...Entonces, con permisso...
- Tenho um amigo policial que não come ovos
nem por decreto!
- Enjoou?
- Não, só gosta das algemas.
Aparecido Raimundo de Souza
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61
Golpe baixo
-Passou um casal numa moto caracterizada
de macaco lá na rua de casa. Até os pneus lembravam
um chimpanzé.
- E daí?
- Atirei uma banana neles, com casca e tudo...
-Como você pode ser tão perverso? Quanta
estupidez! Poderia causar um acidente.
- Não foi essa a minha intenção. Só queria
tirar sarro. Zoar com a cara dos idiotas.
- Ta. E o que aconteceu depois dessa sua
péssima e repulsiva idéia?
- Você não vai acreditar. A moto largou os
dois na esquina e voltou para comer a banana.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
75
62
Insociáveis
- Soube da última?
- Não!
- O Bar se juntou a Bante...
- Com que finalidade?
- Os dois resolveram dar um nó.
- Ué em quem?
- No seu Anastácio, o cego.
Aparecido Raimundo de Souza
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63
Sombra e água fresca
- Cansei. Realmente cansei!...
- Nessa idade? Não acredito! Como?
- Meu emprego!...
- Que há com ele?
- Me deixou em prego!
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
77
64
Com outras palavras
“Bumbum” é um modo de falarmos da
bunda, do ânus, ou do cu, de maneira social e
elegante, sem nos tornarmos chulos, assim como
“soltei um ventinho”, a forma delicada, correta e
sutil de nos desculparmos perante as pessoas,
quando deixamos escapar um tremendo peido,
daqueles bem fedorentos que, entram rasgando,
com a sua fedentina insuportável, por todos os
buracos disponíveis do nariz.
Aparecido Raimundo de Souza
78
65
Ossos do orifício
- O senhor disse que presenciou a tragédia,
desde o começo. Quer, por favor, me contar toda a
história?
- Com prazer, seu jornalista. Foi assim. Após
o ladrão ter suicidado a vítima, ele se matou com
uma escopeta que carregava, disparando um tiro
certeiro dentro do ouvido.
- Que horror! A que ponto chegou o ser
humano...
- O pior aconteceu meia hora depois...
- Pior? O que pode ser mais infame do que
uma pessoa atentar contra a própria vida?
- O prezado pode escrever isso aí no seu
jornal que é a mais pura verdade. O infeliz foi preso
em flagrante, por quatro policiais, quando
desparafusava a cabeça do pescoço e tentava se
evadir do local do crime disfarçado de cadáver.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
79
66
Cena urbana I I I
- Achei gozado, outro dia, uma mãe querendo
dar água pra filhinha!
- E o que havia de gozado nesse gesto tão
lindo?
- A criança era pequena e o bebedouro maior
que ela.
- E...?
- A idiota da mãe achou mais cômodo deitar
o bebedouro até a boca da criança que suspendêla,
no colo, à altura da torneirinha.
Aparecido Raimundo de Souza
80
67
Ritual
- Para você conseguir chegar aos finalmente,
com a Marina, tem de descolar um carro. A boazuda
só libera a perereca, ou o caneco se estiver
com as pernas bem abertas, sentindo o roçar do
volante nas costas ou o câmbio das marchas
esfregando, com força, o rego da bunda. Não
importa que a caranga seja um fusca ou uma
Mercedes. O negócio dela é estar com o cheiro da
gasolina entrando pelos olhos e ouvidos.
-Ta legal. E se eu estiver do lado de fora do
automóvel, encostado na lataria do possante, o que
é que essa ordinária faz?
-Chupa!
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
81
68
Gênesis
Contam as Escrituras que a malvada serpente
implorou a Eva que convencesse Adão a comer do
fruto proibido trepando na árvore existente no
centro do jardim. E adão trepou e comeu...
Depois, já expulsos do paraíso, Êxodo 41.17,
Adão partiu para a desforra. Fez com que a Eva lhe
engolisse, igualmente trepada numa outra árvore,
a cobra. E eva trepou e engoliu...
Nascia, a partir desse ato, Apocalipse 23.24,
o que, anos e anos mais tarde viria a ser conhecido
vulgarmente como boquete.
Aparecido Raimundo de Souza
82
69
Fiel
Ele:
- Lá em casa tem alguém que sempre me faz
festa quando chego do trabalho...
Ela:
- Quem, sua mulher?
Ele:
- Não, Lili!
Ela:
- Lili? Quem é Lili?
Ele:
- Minha bonequinha inflável.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
83
70
Lascivo
Era tão viciado em mulher, mas tão viciado,
que começava comendo uma e terminava gozando
na outra
Aparecido Raimundo de Souza
84
71
Via expressa
- Do que morreu o motorista?
- De volante...
- Como assim?
- Perdeu a direção.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
85
72
Numa sofisticada butique de
shopping
Vista sua mulher mal e notarão o vestido.
Transforme-a com a nossa elegância e perceberão
o otário que você deixou de ser.
Aparecido Raimundo de Souza
86
73
Ponto e contra ponto
O homem, furioso:
- Moça, sua boceta por acaso é cega?
A mulher, sorridente e segura de si:
- Não, meu senhor. Seu pau é que parece
totalmente vesgo da cabeça!
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
87
74
Gibi
- Você acredita que o capeta se assustou com
Capeto?
- Quem é esse Capeto?
- O cachorro do Fantasma.
Aparecido Raimundo de Souza
88
75
Religião
- Rosana, você gosta de leite em pó?
- Não, Rita. Prefiro mil vezes leite em pau.
Você saboreia direto da fonte, sem ter que arrancar
o invólucro, abrir a lata ou esquentar água para
dissolver o produto. E o melhor de tudo: já vem
pronto para ser consumido.
Com essa pequena explicação de Rosana, definitivamente,
cai por terra a teoria daquele velho
ditado que os antigos insistiam em colocar na nossa
cabeça. “Gosto não se discute”. Realmente, não se
discute: simplesmente, se mama.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
89
76
Aula prática de português I I
A aluna encontra seu professor a caminho
do refeitório e não perde a oportunidade de
demonstrar o que sente por ele. Ataca:
- Vou prender o senhor com o meu laço. Até
hoje ninguém escapou nem resistiu ao meu
charme.
O professor, seguro de si e sem deixar de lado seu
melhor sorriso, rebate de imediato. Dá o troco:
- Asseguro que a senhorita não conseguirá,
ainda que leve em consideração o fato de ter sido a
única da sala a ganhar nota máxima na redação...
- E por que o meu amado mestre acha que
eu não terei sucesso em meu empreendimento?
- Porque desde que entrei para esta escola
eu fiquei lasso.
Aparecido Raimundo de Souza
90
77
O visto imaginado
- Uma menina nova, lá da escola, na hora do
recreio, me encarou de cima embaixo com uma
cara muito engraçada. Parecia uma lâmpada.
- E você, o que fez?
- O que queria que eu fizesse? Tive a ligeira
impressão de que se tocasse nela, acenderia!...
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
91
78
Tomada de preços
Indubitavelmente, segundo os entendidos no
assunto, um excelente lugar para se ligar o cu da
inflação.
Aparecido Raimundo de Souza
92
79
Injustiçado
- Pois é: apesar do exame de DNA ter dado
negativo o juiz condenou o réu na ação de investigação
de paternidade...
- Mas como, seu Leôncio? Baseado em quê?
- O filha da puta achou o cara “pairicido”
demais com a criança.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
93
80
Profano
Dizem, os antigos, que as graças desse Santo,
efervescem num copo de água. Porisso São Rizal,
não tem altar em paróquias, nem igrejas em bairros
periféricos. Vem sempre em pacotinhos de plástico,
é ingerido em momentos de muita azia e má
digestão. Seus feitos miraculosos, comumente,
acontecem quando deixa as prateleiras dos balcões
das farmácias. A maioria das pessoas já se
beneficiou de seus privilégios que, são infindáveis
e politicamente comprovados. Em Roma, o Papa
pensa em beatificá-lo. E possível, que em breve,
tenhamos um dia dedicado especialmente a esse
novo mártir, aliás, o primeiro Santo da história da
igreja católica a vir acondicionado num envelopinho.
Segundo o presidente da CNBB
(Comando Nacional de Bestas e Babacas), “Não
basta só operar milagres. É preciso chiar mais que
a concorrência”.
Aparecido Raimundo de Souza
94
81
Classificados.
Procura-se, com certa urgência, uma coleira
com prática em cachorros. Terá preferência a que
souber latir, rolar, se fingir de morta, levantar a
pata traseira e o mais importante: mijar em postes.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
95
82
Vovô
Era tão velho, mas tão velho que até a bengala
sofria do mal de Parkinson.
Aparecido Raimundo de Souza
96
83
Depredação de patrimônio
- Priscila, nem te conto: papai deu a maior
surra no meu namorado.
-Por que minha amiga?
-Eu e Toninho caímos da moto. Cheguei lá
em casa arranhada e suja de sangue. Fui comentar
com a mamãe, que estava com o braço quebrado.
-E como esse simples incidente acabou em
coça?
-Papai chegou na hora, amiga, e entendeu
cabaço quebrado.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
97
84
É bom saber que...
- Há uma considerável diferença entre
homens e cobras, com relação a pequenos barcos
de aluguel.
- Diferença entre homens e cobras? Mas
qual?
- Enquanto eles, realmente alugam, elas
dão...
- Meu Deus, Eusébio. Elas dão? Dão o quê?
- O bote.
Aparecido Raimundo de Souza
98
85
Xeque mate.
- E ai, foi bem na prova? Deu pra passar?
- Qual nada, me dei foi mal...
- O que lhe caiu?
- Mi Khaill Gorbachew!
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
99
86
Imprevisto
- Essa não!
- O que foi?
- A torta de pêssegos. Puta que pariu!...
- Desembucha mulher. O que foi que houve
com ela?
- Ficou aleijada.
Aparecido Raimundo de Souza
100
87
O Cúmulo palpável
Da próxima vez que alguém falar pra você
que não existe nada impossível nesta vida, peça a
essa pessoa que ponha um elefante nas costas e
passe por uma porta giratória de uma dessas
agências bancárias movimentadas. E que ainda leve,
de quebra, na ponta da tromba, de carona, uma
formiguinha, de preferência com uma arma de fogo
engatilhada, pronta para atirar, só para chatear os
seguranças que ficam lá dentro de plantão e, claro,
aterrorizar e botar pra correr as pessoas que
estiverem do lado de fora, bisbilhotando.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
101
88
Renda de bilro
- A mulher de meu vizinho, puxa vida!...
- É de fechar o comércio?
- Mais que isso!
- Levanta defunto?
- Você não passou nem perto...
- Deixa velho babando?
- Muito mais...
- Como assim, muito mais?
- Eu a compararia a uma dessas irmãs carolas
com a boceta escancarada pregando bem lá no
meio da igreja...
- Por que, ela tem alguma ligação com a igreja
unilateral do Reino de Zeus ?
- Não, meu amigo. Nada a ver.
- Então...?
- A deslumbrada vive cercada de membros
carnívoros por todos os lados.
Aparecido Raimundo de Souza
102
89
Aviso importante
É expressamente proibido aos senhores
passageiros: falar com os charutos, fumar
motoristas, cachimbos, ou cigarros de pilha, bem
como utilizar aparelhos que soltem qualquer tipo
de fumaça.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
103
90
Vulgar se não fosse trágico
- Um mendigo tirou o pinto para fora da calça
e, chacoalhando, ostensivamente, mostrou para
uma moça que passava. Ela gritou, um transeunte
chamou a polícia e o coitado foi detido e autuado
na delegacia mais próxima por atentado violento
ao pudor. Já um outro, bateu na casa de uma
granfina, pedindo restos de comida.
-E daí?
-Levou em troca umas boas vassouradas no
meio da cara, da empregada, umas vassouradas
tão fortes que os vizinhos, que assistiram a cena,
comovidos, acionaram uma viatura da policia
militar. Assim, muito machucado, o infeliz acabou
parando na delegacia. Claro, foi solto depois...
-E a desgraçada da serviçal?
-O delegado indiciou criminalmente por
agressão e atentado violento ao pidor.
Aparecido Raimundo de Souza
104
91
Última hora
Oito elementos acabam de assaltar uma
agência bancária em plena Avenida Paulista.
Os facínoras fugiram pelos fundos do banco,
levando a única porta giratória que dava acesso ao
interior do estabelecimento. Na correria os meliantes
deixaram três seguranças com as cabeças
entaladas nas privadas cheias de merda, além de
sete funcionárias peladas até o pescoço, sendo três
delas com as respectivas bundas expostas para o
lado de fora do sutiã. Até este momento os militares
não conseguiram abrir a saída de emergência
porque a maçaneta, além de estar em desuso, se
encontrava emperrada.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
105
92
Loucura bisonha
- Um paciente hoje, me deu a maior dor de
cabeça. Ao chegar em casa, colocou as lentes de
contato para mostrar à mulher. Meu amor, que
merda! Ligou lá para a clínica apavorado. Que sufoco,
passei...
- O que aconteceu? Deu alguma reação? Ele
não conseguiu enxergar?
- Ao contrário, amor, ele viu tudo. Eu diria,
viu até bem demais.
- Então, qual o motivo da sua dor de cabeça?
- Ao olhar para a esposa, na cama, meu
cliente percebeu que a companheira estava nua,
completamente nua, como veio ao mundo...
- Isso é natural, entre marido e mulher. Você,
agora, não está de pinto de fora, aqui ao meu lado?
- Acontece, minha princesa, que ele a viu de
uma forma como nunca tinha enxergado antes.
Ela estava pelada, às avessas.
Aparecido Raimundo de Souza
106
93
Gato na tuba
- Esclarecido o mistério. O carteiro aqui do
bairro que os policiais prenderam, ontem, confessou,
ao delegado, que é ele mesmo o coprografomaníaco
do pedaço. A DP acabou de me ligar.
- Copro... Copro... Copro o quê?
- Coprografomaníaco, papai. Coprografomaníaco...
- Traduza, filha.
- O senhor lembra que de uns meses para,
cá todos nós, aqui do prédio, recebíamos as correspondências
fedendo a cocô e recheadas de bosta?
- Sim, filha. Mas o que o tal carteiro tem a
ver com esse vandalismo?
- Tudo, papai. Além de funcionário da empre-
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
107
sa, ele também é um coprografomaníaco assumido.
- Tá, filha. E o que é isso? Fale de uma vez.
- Coprografomaníaco, papai, é aquela pessoa
que tem mania de enlamear as cartas com merda
para serem enviadas a seus destinatários.
- Credo! E ele fazia tal coisa?
- Por certo.
- De que maneira chegaram até o infeliz?
- Foi preso com as mãos na massa, em sua
residência, logo depois de ter saído para fazer as
entregas.
- Como, filha, de que forma?
- Na hora em que foi algemado, me disse o
policial que acabou de ligar, o sujeito havia acabado
de dar uma cagada e espalhava seu excremento
nos documentos.
- Bem, filha, ainda que dessa forma, tais fatos
não provam nada.
- Concordo com o senhor, em parte. Todavia,
como me explicaria ter confessado o crime?
Ademais, papai, os investigadores retiraram, da
bunda dele, com uma pinça, um monte de
envelopes selados e carimbados com a chancela
dos correios.
Aparecido Raimundo de Souza
108
94
Alma gêmea
- Estão comentando no bairro inteiro que seu
Cani encontrou o grande amor da vida dele!
- Tomara! Ele é uma boa alma. Merece.
E quem é a felizarda?
- Uma tal de Vete.
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
109
95
Precaução hereditária
- Meu amigo Juarez não corta o cabelo nesses
salões de barbeiro em hipóteses nenhuma.
-Qual o problema dele com esses profissionais?
-Medo de pegar a doença de chagas.
Aparecido Raimundo de Souza
110
96
Água benta
- O filho da puta do Vati me paga.
- Que foi que ele fez pra você, de tão grave?
- Não lhe contaram?
- Devo lembrar que por aqui eu sou sempre
o último a saber.
- Havia me esquecido desse detalhe!
- E então, o que Vati aprontou?
- Me deu o cano!
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
111
97
De jumento
-Soninha, é verdade o que os colegas aqui
da empresa comentam sobre seu Paulo, nosso
encarregado?
- Edileusa, se você se refere à história da
pica, acredite, sem tirar nem por!
- E como a galera descobriu essa particularidade?
- No dia em que ele foi flagrado na casa da
amante em vista do marido ter chegado de
repente...
- Até essa parte eu sei de cor e salteado. O
que desconheço e quero detalhes é como o pessoal
se deliciou com “as coisas” do cara?
- Todo mundo aqui, exceto você, que faltou,
cansou de ver o troço no dia do bafafá. Seu Paulo
teve que pular a janela do segundo andar aqui em
frente à empresa e rachar no trecho, pelado. De
bunda de fora!
- E daí?
- Daí que, durante a corrida, o pau dele, de
tão grande e descomunal, dava a impressão de uma
terceira perna solta, começou a balançar e, devido
a esse incidente, bateu tanto em cima dos olhos,
mas tanto, que o rosto inteiro acabou ficando
completamente arroxeado.
Aparecido Raimundo de Souza
112
98
Passional
O garoto explica o crime ao investigador:
- Papai “abril” a porta e flagrou a mamãe nos
braços de outro...
O policial, com cara de panaca, se abre num
sorriso sério:
- Fazendo exatamente o que, filho?
- Ora, seu moço. Dando aquele “maio”,
“agosto”, no seu Julho Setembrino, o homem que
o senhor encontrou morto lá no quarto de casa.
Ele era o dono do mercadinho ...
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
113
- O velho Taborda agia sempre da mesma
forma. Acendia o cigarro, jogava o palito para o
alto, dava uma tragada bem longa, guardava a caixa
de fósforos no bolso e, em seguida, cuspia nos pés.
Um belo dia, seu, Arcanjo, o cara resolveu
dar um basta, já que a coisa havia virado rotina.
- E como foi que ele fez essa mudança?
- Da maneira mais simples possível. Jogou
para o alto o cigarro, deu uma tragada no palito,
cuspiu na caixa de fósforos e olha só que loucura.
Acendeu o alto e guardou o bolso nos pés.
99
Repetitivo
Aparecido Raimundo de Souza
114
Diz o vizinho à nova moradora que acaba de
se mudar para perto dele:
- Os seus belos fundos dão para a minha
frente. E como a senhorita pode ver é bem
enorme...
A jovem rebate imediatamente, com um belo
sorriso iluminando seu rosto escultural.
- Estou sentindo, à primeira vista, que o
senhor embora pareça fino é, realmente, bem
grosso.
100
Welcome
O VULTO DA SOMBRA ESTRANHA
115
Aldeia de Carapicuíba, (SP) Junho de 1970.
116
117
LIVROS DO AUTOR:
“ A outra perna do saci”
“Quem se “abilita?”
“Com os chifres à flor da cabeça.”
“Refúgio para cornos avariados.”
“Os três desejos.”
”Travessuras de Mindinho
e Furabolo.”
“As mentiras que as mulheres
gostam de ouvir.”
“Mulheres em estado de coma.”
“Tudo o que eu gostaria
de ter dito.”
118
"A Editora e a coordenadora não se responsabilizam pelo teor dos
conceitos, afirmações expressas e dados contidos nesta obra. Todo
o conteúdo: texto formulado e as opiniões são de inteira e exclusiva
responsabilidade do autor, que exerce seu direito de expressálas
publicamente."
119
CONTATO COM O AUTOR:
aparecidoraimundodesouza@gmail.com
120
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